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O uso do laser no herpes labial: quando e como?

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4–6 minutos

Uma “sensação de alívio”. Essa talvez seja a palavra que mais descreva o uso do laser no herpes labial.

Como nós sabemos, a face é uma região do corpo humano que possui uma representação ampla e significativa no córtex cerebral responsável pelas nossas sensações.

Além disso, a pele possui diversos tipos de receptores: pressão, dor, calor, quente, frio. São conhecidas como terminações nervosas especializadas.

Assim, a combinação dos fatores acima cria um sistema de alarme: mesmo o toque ou o corte mais sutil dispara a nossa atenção, criando uma sensação que na maioria das vezes é dolorosa.

Especificamente, na pele da face, o herpes labial gera um incômodo dolorido ao redor dos lábios ou no canto da boca. Em seguida, temos vontade de coçar os locais das lesões.

Então, o aumento dessa frequência de coçar nos leva ao espelho. Infelizmente, é só nesse momento que percebemos umas bolhinhas dentro de uma área mais rosácea do que o vermelho dos lábios: é o herpes labial.

Esse tipo de herpes simples (HSV-1) é comum em 99% das pessoas, mas apenas 20% delas apresentam sinais e sintomas.

Entretanto, esse vírus não é eliminado. Pelo contrário, permanece latente nas células nervosas. Além disso, pode ser reativado pelo estresse, exposição solar excessiva, febre, infecções, menstruação, gravidez, ou queda na imunidade.

Herpes labial: não pode coçar e nem tocar

Não pode. Proibido.

Porque? Essas criaturinhas são muito mais invisíveis e resistentes do que a gente pensa.

Assim, quando coçamos ou fazemos pior (que é estourar essas bolhas com qualquer tipo de objeto), o vírus vê a chance de se instalar em outros territórios quentes e úmidos, como nos cantos da boca.

E a sensação de incômodo só aumenta. Quanto mais coçarmos, mais bolhas surgirão. Então, perdemos o controle.

Além disso, quando não lavamos as mãos, o vírus da herpes simples começa a sua jornada: caminha para as pontas das orelhas, lateral das narinas, e quem sabe para os cantos dos olhos.

Em Periodontia, todo cuidado é pouco: dados recentes mostram que o vírus herpes simples (HSV-1) pode infectar células-tronco do ligamento periodontal levando-as ao seu fim, acarretando na liberação de citocinas inflamatórias e doença periodontal severa.

Pasta de dente? Álcool?

Antes de escolher o que pode ser feito, é necessário identificar o estágio no qual essas bolhas se encontram:

  • fase preventiva
  • fase prodrômica
  • fase vesícula (ardência e prurido)
  • fase crosta

As fases preventiva, prodrômica e crosta são tratadas com fotobiomodulação, enquanto a fase de vesícula, além de ser tratada com medicamentos específicos antivirais, também se beneficia da terapia fotodinâmica antimicrobiana visando diminuir o tempo de latência e permanência do vírus.

Nessa terapia, a luz interage com um fotossensibilizador e com o oxigênio. Assim, gera radicais livres que danificam esses organismos, além de reduzir a chance de recorrência dessas lesões, concedendo ainda propriedades anti-inflamatórias e analgésicas.

Protocolo com laser vermelho na fase vesícula

No livro “Lasers Na Prática Clínica Diária, a Profa. Ana Cecília Aranha e colaboradores, além de fornecerem os conceitos básicos sobre as fontes de luz (lasers de alta e baixa potência) nas terapias de fotobiomodulação, também apresentam diversos protocolos de tratamento nas mais variadas patologias e condições bucais e faciais, conforme a lista abaixo:

  • hipersensibilidade dentária
  • sensibilidade pós-operatória
  • disfunção temporomandibular (DTM)
  • remoção de laminados cerâmicos
  • protocolo dessensibilizante
  • prevenção de lesões cervicais não cariosas
  • apicetomia

Dentre os itens acima, também há prescrições específicas para o vírus do herpes simples, especialmente na fase vesícula, como demonstrado à seguir:

Lesões de herpes na fase de vesícula com queixa de ardência e prurido.
Lesões de herpes na fase de vesícula com queixa de ardência e prurido. Imagens: Santos Publicações Ltda.

Passo 1: Perfuração das lesões

Nessa etapa, depois dos procedimentos iniciais e da anestesia tópica,“…é muito importante lembrar que deve haver cuidado extra na infecção cruzada por conta da alta carga viral presente no exsudato seroso. Assim, limpe a área cautelosamente e troque os equipamentos de proteção individual (EPIs) após a perfuração dessas vesículas.”

Também, a lupa de magnificação ou microscópio é usado para observar as vesículas e perfurá-las com cuidado e acurácia:

Perfuração da vesícula com agulha estéril após anestesia tópica. Imagem: Santos Publicações Ltda.

Passo 2: Aplicação do corante

Como o herpes simples é um vírus, vamos direto para a terapia fotodinâmica (também conhecida na literatura como PDT). O corante azul de metileno 0,01% é aplicado por 3-5 minutos usando-se um cotonete sobre as vesículas, na fase de pré-irradiação:

Aplicação do corante azul de metileno 0,01% com auxílio de uma haste flexível. Imagem: Santos Publicações Ltda.
Aplicação do corante azul de metileno 0,01% por 5 minutos (tempo de pré-irradiação). Notar que a  superfície fica azulada.
Aplicação do corante azul de metileno 0,01% por 5 minutos (tempo de pré-irradiação). Notar que a
superfície fica azulada. Imagem: Santos Publicações Ltda.

Passo 3: Uso do laser vermelho

O passo seguinte consiste em usar um laser vermelho de baixa potência, sendo 60 segundos por ponto. Os pacientes são avaliados 24 horas depois.

Após a aplicação do corante, irradiar com laser de baixa potência, 100 mW, comprimento de onda no vermelho, 6,0 J, 60 segundos cada ponto (a quantidade de pontos será determinada pelo tamanho da lesão). Avaliar o paciente após 24 horas. Caso as lesões estejam secas após esse tempo, irradiar com o objetivo de reparo/cicatrização com 1,0 J vermelho. Caso ainda apresente vesículas, repetir o procedimento da terapia fotodinâmica antimicrobiana (azul de metileno + laser de baixa potência no comprimento de onda vermelho). Imagem: Santos Publicações Ltda.

1 comentário em “O uso do laser no herpes labial: quando e como?

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