O uso do laser no herpes labial: quando e como?
Uma “sensação de alívio”. Essa talvez seja a palavra que mais descreva o uso do laser no herpes labial.
Como nós sabemos, a face é uma região do corpo humano que possui uma representação ampla e significativa no córtex cerebral responsável pelas nossas sensações.
Além disso, a pele possui diversos tipos de receptores: pressão, dor, calor, quente, frio. São conhecidas como terminações nervosas especializadas.
Assim, a combinação dos fatores acima cria um sistema de alarme: mesmo o toque ou o corte mais sutil dispara a nossa atenção, criando uma sensação que na maioria das vezes é dolorosa.
Especificamente, na pele da face, o herpes labial gera um incômodo dolorido ao redor dos lábios ou no canto da boca. Em seguida, temos vontade de coçar os locais das lesões.
Então, o aumento dessa frequência de coçar nos leva ao espelho. Infelizmente, é só nesse momento que percebemos umas bolhinhas dentro de uma área mais rosácea do que o vermelho dos lábios: é o herpes labial.
Esse tipo de herpes simples (HSV-1) é comum em 99% das pessoas, mas apenas 20% delas apresentam sinais e sintomas.
Entretanto, esse vírus não é eliminado. Pelo contrário, permanece latente nas células nervosas. Além disso, pode ser reativado pelo estresse, exposição solar excessiva, febre, infecções, menstruação, gravidez, ou queda na imunidade.
Herpes labial: não pode coçar e nem tocar
Não pode. Proibido.
Porque? Essas criaturinhas são muito mais invisíveis e resistentes do que a gente pensa.
Assim, quando coçamos ou fazemos pior (que é estourar essas bolhas com qualquer tipo de objeto), o vírus vê a chance de se instalar em outros territórios quentes e úmidos, como nos cantos da boca.
E a sensação de incômodo só aumenta. Quanto mais coçarmos, mais bolhas surgirão. Então, perdemos o controle.
Além disso, quando não lavamos as mãos, o vírus da herpes simples começa a sua jornada: caminha para as pontas das orelhas, lateral das narinas, e quem sabe para os cantos dos olhos.
Em Periodontia, todo cuidado é pouco: dados recentes mostram que o vírus herpes simples (HSV-1) pode infectar células-tronco do ligamento periodontal levando-as ao seu fim, acarretando na liberação de citocinas inflamatórias e doença periodontal severa.
Pasta de dente? Álcool?
Antes de escolher o que pode ser feito, é necessário identificar o estágio no qual essas bolhas se encontram:
- fase preventiva
- fase prodrômica
- fase vesícula (ardência e prurido)
- fase crosta
As fases preventiva, prodrômica e crosta são tratadas com fotobiomodulação, enquanto a fase de vesícula, além de ser tratada com medicamentos específicos antivirais, também se beneficia da terapia fotodinâmica antimicrobiana visando diminuir o tempo de latência e permanência do vírus.
Nessa terapia, a luz interage com um fotossensibilizador e com o oxigênio. Assim, gera radicais livres que danificam esses organismos, além de reduzir a chance de recorrência dessas lesões, concedendo ainda propriedades anti-inflamatórias e analgésicas.
Protocolo com laser vermelho na fase vesícula
No livro “Lasers Na Prática Clínica Diária“, a Profa. Ana Cecília Aranha e colaboradores, além de fornecerem os conceitos básicos sobre as fontes de luz (lasers de alta e baixa potência) nas terapias de fotobiomodulação, também apresentam diversos protocolos de tratamento nas mais variadas patologias e condições bucais e faciais, conforme a lista abaixo:
- hipersensibilidade dentária
- sensibilidade pós-operatória
- disfunção temporomandibular (DTM)
- remoção de laminados cerâmicos
- protocolo dessensibilizante
- prevenção de lesões cervicais não cariosas
- apicetomia
Dentre os itens acima, também há prescrições específicas para o vírus do herpes simples, especialmente na fase vesícula, como demonstrado à seguir:

Passo 1: Perfuração das lesões
Nessa etapa, depois dos procedimentos iniciais e da anestesia tópica,“…é muito importante lembrar que deve haver cuidado extra na infecção cruzada por conta da alta carga viral presente no exsudato seroso. Assim, limpe a área cautelosamente e troque os equipamentos de proteção individual (EPIs) após a perfuração dessas vesículas.”
Também, a lupa de magnificação ou microscópio é usado para observar as vesículas e perfurá-las com cuidado e acurácia:

Passo 2: Aplicação do corante
Como o herpes simples é um vírus, vamos direto para a terapia fotodinâmica (também conhecida na literatura como PDT). O corante azul de metileno 0,01% é aplicado por 3-5 minutos usando-se um cotonete sobre as vesículas, na fase de pré-irradiação:


superfície fica azulada. Imagem: Santos Publicações Ltda.
Passo 3: Uso do laser vermelho
O passo seguinte consiste em usar um laser vermelho de baixa potência, sendo 60 segundos por ponto. Os pacientes são avaliados 24 horas depois.


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