O canal angulado do parafuso na prótese estética sobre implantes
Como se constrói o canal angulado do parafuso numa prótese sobre implantes?
É possível fazer uma prótese estética na maxila mesmo que os implantes estejam um pouco fora da melhor posição?
O que é seria um “parafuso dinâmico”? A correção desse canal?
Os mecanismos de fixação: a prótese parafusada
As primeiras próteses sobre implantes contemporâneos de titânio apresentam pilares longos (transmucosos) conectados diretamente às fixações. Isto funciona como medida de afastamento da mucosa peri-implantar e ainda deixava um espaço para higienização.
Na sequência, outro componente especial que recebe a prótese provisória ou definitiva, ou seja, mais um parafuso.
Com esse sistema, existe a chance de desmontar a peça para manutenção. Ainda, o parafuso da prótese sobre implantes funciona como elo mecânico e em caso de fratura pode ser trocado.
Outro ponto importante é que as bases de resina acrílica artificial não fecham os espaços interproximais e também auxiliam na limpeza.
A ideia básica consiste em não perturbar os tecidos moles. Sim, é bem no estilo do “one abutment one time”.
Muitas vezes, a posição dos implantes fica anatomicamente deslocada, mas sem prejudicar o canal de acesso ao parafuso principal.
Tudo isso acima funciona bem quando há osso em altura e largura suficiente. É o começo da prática clínica.
Implantes dentários fora de posição: e o canal de acesso?
O aumento na frequência de colocação dos implantes dentários também traz algumas complicações.
Como nem sempre o implante dentário está bem posicionado, componentes protéticos totalmente calcináveis, mas com base metálica pré-usinada de fábrica, surgem para contornar essas situações.
São os famosos pilares UCLA.
Mas ainda estamos falando da mandíbula, onde contornar problemas de posicionamento é bem mais fácil do que na maxila.
Da mandíbula para a maxila: problemas anatômicos
Do ponto de vista da ortopedia craniofacial, mandíbula e maxila nascem e crescem de maneira diferente.
Por um lado, no final desse processo em pacientes totalmente desdentados, a região entre os forames mentuais torna-se propícia ao desenvolvimento de um platô ósseo porque o sentido de reabsorção óssea é para fora (centrífugo).
Aqui os implantes podem ficar paralelos entre si, como normalmente se vê. Uma pequena variação para mesial ou distal não é crítica.
Por outro lado, na maxila, por seu formato piramidal e pelo sentido de reabsorção óssea para dentro (centrípeto), há uma deficiência em volume ósseo vestibular, logo onde mais precisamos de osso ao redor dos implantes.
Isto também se soma ao fato de os dentes anteriores terem inclinações para vestibular.
Então, como precisamos seguir a parede palatina sem errar a posição dos implantes, eles acabam angulados, gerando a necessidade de componentes especiais.
O canal de acesso ao parafuso emergindo pelo aspecto vestibular
Quer seja em situações de carga imediata ou não, muitas vezes a embocadura do canal de acesso ao parafuso fica por vestibular.
E em mais uma tentativa de evitar chateações, essa pequena abertura redonda ou oval é selada diretamente ou com uma inlay em resina composta ou cerâmica.
Qual a frequência de uso do canal angulado com parafuso na maxila?
Após a análise de mais de 100 exames de tomografia computadorizada de feixe cônico com mais de 300 dentes na área estética, a frequência de uso de componentes angulados mostra que o dente incisivo lateral superior é o campeão (94%), seguido dos dentes incisivo central (72%) e canino superior (51%).
Ainda, os valores de correção na angulação ficaram entre 5 e 25 graus.
Assim, no planejamento do implante e da prótese na região estética da maxila, é fundamental antecipar a colocação de pilares como componentes angulados.
O canal angulado do parafuso: uma saída elegante
Conhecido como “parafuso dinâmico”, esse componente é a saída para devolver a estética aos implantes dentários, como descrevem os autores Victor Clavijo, Maria Coltro, Paulo Mesquita, e Eduardo Villarinho no livro oficial do IN24, lançado recentemente pela Santos Publicações Ltda.

O pilar dinâmico é uma base com uma semiesfera onde fica o conduto de aparafusamento. Esse conduto se desvia do longo eixo do implante em até 28 graus.
Além disso, a sua chave de torque possui um encaixe especial que se ajusta ao parafuso e segue essas angulações extremas. Assim, o valor de torque está garantido especialmente nas reconstruções unitárias.
Ainda, há versões onde o pilar dinâmico pode ser combinado ao cilindro dinâmico, o que dá maior liberdade no momento do enceramento diagnóstico, sem prejudicar o canal angulado do parafuso .

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