Santos Publicações • 40 anos de Editorial Médico e Odontológico

O Monitoramento do Risco de Doença Periodontal após tratamento

Compartilhar:
3–5 minutos

Qual é o indicador ou o grupo de indicadores clínicos mais confiável a ser usado no dia a dia no monitoramento do risco de doença periodontal?

Terapias periodontais não cirúrgicas e cirúrgicas caracterizam o tratamento da doença periodontal há muitos anos. Entretanto, depois do tratamento inicial, seria possível “prever” qual a chance desse dente permanecer em função sadia sem que sofra alguma reintervenção?

A capacidade de prever o futuro ao alcance do periodontista

O levantamento mais recente enfatiza: os índices disponíveis são úteis, mas quando usados de modo específico.

Caso contrário, perdem sua eficiência diagnóstica preditiva.

Dessa forma, a “bola de cristal” do periodontista é capaz de fazer previsões com muita clareza ao utilizar índices clássicos, mas dentro de certos limites.

Na rotina clínica, podemos dispor de alguns índices bem conhecidos:

O que são índices substitutos no monitoramento do risco de doença periodontal?

Como o próprio nome diz, são ferramentas que fornecem uma ideia da evolução após o tratamento.

Por exemplo, uma redução na profundidade de bolsa é classicamente considerada como melhora e potencializada pela ausência de sangramento (característico de inflamação).

Dentro dos índices substitutos, dois desses indicadores periodontais são usados conforme os limites abaixo:

  • PPD rasa (≤ 6mm)
  • PPD ≤ 4mm e ausência de BoP

O que são índices verdadeiros?

São os desfechos nos quais realmente precisamos entender o comportamento, onde dois deles se destacam:

O ponto central é que existe uma grande variabilidade nos resultados cirúrgicos periodontais quando falamos de dentes comprometidos. Ou seja, é difícil prever se o dente permanece ou necessita de extração no futuro.

Motivo: atualmente devemos considerar outros fatores imunológicos / sistêmicos nessa equação, onde a Medicina Periodontal sobressai com relevância.

O Escore do Risco Periodontal (ERP): uma revolução no monitoramento?

Essa é uma classificação composta com um reforço nessa lista de fatores. Além disso, para cada item, há pontuações representativas (dentro dos parênteses abaixo):

  • idade: até 39 anos (0); 40 anos ou acima (1)
  • tabagismo: não fumante (0); menos de 10 cigarros (1); mais de 10 cigarros (4); 15 anos sem fumar (2); mais de 15 anos sem fumar (0)
  • hemoglobina glicada (diabetes): <6 (0); até 7 (1); até 8 (2); até 9 (3); acima de 9 (4)
  • dente: não molar (0); molar mandibular (0); primeiro molar superior (1); segundo molar superior (2)
  • mobilidade: ausente (0); grau 1 (1); grau 2 (2); grau 3 (3)
  • profundidade de sondagem: < 5 mm (0); até 7 mm (1); até 10 mm (2); acima de 10 mm (3)
  • lesão de furca: ausente (0); grau 1 (1); grau 2 (2); grau 3 (3); lesão tipo túnel de comunicação (3)

Então, o Escore de Risco Periodontal final se divide em 3 grupos:

  • Classe 1 – Excelente (faixa de pontuação geral 1-4),
  • Classe 2 – Bom (faixa de pontuação geral 5-7),
  • Classe 3 – Reservado (faixa de pontuação geral 8-11).

Além disso, para cada uma das classificações, atribui-se duas faixas de porcentagens de previsibilidade de sobrevivência dentária:

  • entre 5 e 10 anos: 98%, 95% e 89%, respectivamente
  • entre 15 e 20 anos: 96%, 90%, 67%, respectivamente

Afinal, os índices conseguem realmente prever o que acontece após o tratamento periodontal?

Após uma avaliação com mais de 6 mil dentes de pacientes tratados periodontalmente na Universidade de Michigan, é nítido que cada índice, individual ou composto, tem seu papel em momentos estratégicos.

Isso se explica porque em 91,5% dos casos, após 20 anos de observação, foi necessário fazer alguma correção nos tratamentos iniciais.

Outro destaque foi a taxa de perda dentária por periodontite: 28% dos casos. Esse valor é significativo no monitoramento do risco de doença periodontal.

Ou seja, o uso isolado dos índices periodontais substitutos não é tão efetivo (preciso) como ferramenta na previsão do prognóstico dentário em todas as situações.

Assim, mediante novas análises estatísticas complexas que consideram os níveis de sensibilidade (bom rastreamento dos casos reais) e a especificidade (evita falsos positivos), é possível dizer quando e quais índices empregar.

Como e quando usar esses índices periodontais no monitoramento?

Há três situações bem distintas:

  • para prever a perda dentária por problemas periodontais (dente comprometido com necessidade de extração): valores ERP iguais ou acima de 2. Ainda, na consulta inicial, os pacientes são considerados como “de alto risco / com maior necessidade de terapia de suporte periodontal”.
  • para prever a necessidade de retratamento após a terapia periodontal ativa: valores ERP iguais a 3, e quando não se consegue uma PPD ≤ 4mm / ausência de sangramento à sondagem após a cirurgia. Nesses casos, a extração futura do dente é muito provável. A outra possibilidade é representada por PPD ≥ 8mm após a terapia de suporte periodontal.
  • para prever a necessidade de retratamento durante a terapia de suporte periodontal: ERP ≥ 2; em cada consulta, usar o critério PPD ≤ 4mm / ausência de sangramento à sondagem para marcar quais dentes necessitam de raspagem/alisamento ou novo procedimento cirúrgico.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *