Prótese e Endodontia Antes e Depois da Imagem Digital
Na Prótese e Endodontia, as tecnologias em Imagem Digital abrem novas possibilidades de diagnóstico e melhoram o desempenho em longo prazo dos tratamentos odontológicos.
Salvando as raízes na sua Prótese
Remanescentes radiculares têm o seu papel como pilares de próteses fixas. Neste sentido, nada é pior do que extrair um dente incisivo central, um canino, ou um molar, por uma razão bem simples: são elementos estratégicos tanto na estética quanto na manutenção do volume de osso.
Ao longo dos anos, o único meio para verificar a eficácia do tratamento dos canais radiculares passava pela ausência de sintomatologia (sensibilidade ao calor ou frio) e de patologias periapicais nas imagens radiográficas.
Outro ponto importante: muitas próteses são extensas, e seus pilares intermediários possuem tratamento do canal radicular. Em algum momento, o profissional precisa seccionar a raiz ou parte dela para manter a prótese ativa.
Muito além dos 5mm de selamento apical na Endodontia: a tomografia computadorizada de feixe cônico
Algumas regras, mesmo diante de toda tecnologia contemporânea, ainda permanecem: dentes com tratamento endodôntico devem ter 5mm de selamento apical com o material restaurador guta-percha.
Além disso, as paredes dos condutos, para receber os pinos e núcleos fundidos ou pré-fabricados, devem manter sua conicidade.
Ainda, dois terços dos condutos são ocupados pela extensão dos pinos.
Não obstante, núcleos de preenchimento requerem que o remanescente coronário, normalmente, corresponda à 50% do volume original.
Ainda, há outro detalhe importante: a espessura mínima de 1mm ao redor de toda parede radicular do remanescente.
Os requisitos acima, mesmo que bem estabelecidos, são passíveis de análise em imagens bidimensionais, muitas vezes num filme radiográfico revelado manualmente.
Entretanto, o uso de técnicas digitais, como a tomografia computadorizada de feixe cônico, gera mais vantagens por um único motivo: a chance de uma interpretação tridimensional e mais precisa.
A vantagem dos pixels e dos voxels na Imagem Digital
A imagem digital não depende dos líquidos reveladores: ela se vale da radiação produzida pelos aparelhos correspondentes na forma de raios-X.
Além disso, como os raios-X são ondas eletromagnéticas (que a gente não vê, mas precisa tomar cuidado) representadas pelos fótons.
Quando estes atingem os sensores metálicos (CMOS, por exemplo), causam variações elétricas (em física, é o famoso efeito fotoelétrico).
Aqui, essas variações elétricas, do ponto de vista da física, significam alteração de brilho que, no final, são pura voltagem.
Em seguida, essas alterações são traduzidas por um dispositivo conversor analógico / digital para gerar os tons de cinza.
Outro detalhe importante: os sensores usados ficam entre os 12 e 13 bites. No que tange aos tons de cinza, isto significa pelo menos 4096 possibilidades de variações, o que é impossível de ser obtido nos processos convencionais de revelação por líquidos.
Assim, a imagem digital na prótese e endodontia traz como vantagens:
- a possibilidade de identificação de descontinuidades na guta-percha
- a localização de fraturas / trincas nas paredes radiculares
- a detecção de patologias assintomáticas e subclínicas
- a localização de espaços vazios entre os pinos e os condutos radiculares
- a determinação da espessura vestíbulo-lingual de facetas laminadas (subcontorno ou sobrecontorno)
- a espessura crítica da tábua óssea vestibular
- a linha da junção cemento-esmalte e os problemas periodontais de erupção passiva
- a produção de um modelo físico outrora impossível, seja para treinamento ou conversa com nossos pacientes
Assim, após a renderização dos volumes, os profissionais manipulam os planos sagital, axial e coronal a fim de pesquisar as possíveis alterações existentes.
Nesse momento, é fundamental investigar as raízes dentárias em “formato em oito” ou até mesmo aquelas regiões de furca que parecem problemáticas, os canais radiculares secundários e acessórios, bem como aquelas comunicações laterais com o periodonto.
Os filtros para imagem digital são complementos que melhoram o diagnóstico na Prótese e na Endodontia
Nem sempre vamos receber os pacientes no momento de fazer os núcleos. Quando as próteses possuem longa duração e apresentam problemas, há grande chance da maioria dos pilares ter núcleos metálicos.
E essas peças criam artefatos nas imagens. São aquelas estrias ou raios de sol que intensificam o valor da densidade provocando um efeito de estufamento.
Ou seja, o brilho desses núcleos é tão forte que mascara possíveis irregularidades anatômicas, canais radiculares secundários, fraturas, trincas oblíquas, e outras situações.
E contrário ao que se pode imaginar, mesmo que o implante de titânio possua uma densidade menor, ele também gera os mesmos tipos de interferências.
Assim, é necessário que filtros específicos removam esses artefatos.
Um exemplo recente na literatura, desenvolvido por programadores e professores brasileiros, consegue fornecer imagens onde até a cabeça do parafuso passante pode ser visualizada dentro do componente protético.
Ainda, tudo indica que, num futuro próximo, a taxa de sucesso das próteses deve mudar. Não somente porque a tecnologia dos materiais avança, mas também em função de uma melhor visualização radiográfica.
Só assim somos capazes de manter ou extrair raízes remanescentes, ou detectar retratamentos precoces, e até mesmo remover pinos que não têm interface eficaz como selamento entre as paredes dos condutos e os cimentos adesivos.
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