Zumbido é sintoma de DTM?
O zumbido é uma percepção consciente de um som na ausência de um estímulo externo, sendo uma das queixas mais frequentes nas clínicas odontológicas, fonológicas, e otorrinolaringológicas.
Cerca de dois terços dos pacientes com zumbido apresentam perda auditiva. Ainda, existe uma forte suspeita de que alguns casos estejam relacionados à apneia obstrutiva do sono.
Mas é bom saber: o zumbido é um sintoma e não uma doença.
A audição: fisiologia normal
Antes de entender o zumbido, precisamos mergulhar no funcionamento do sentido da audição.
No vídeo abaixo produzido pelo National Institutes of Health, temos uma ideia muito clara de como ela funciona: os sons externos que chegam aos nossos ouvidos se deparam com a membrana do tímpano.
Essa membrana é uma barreira, mas que pode ser distendida. Além disso, vamos lembrar que o som é uma onda. Então, a pressão das ondas sonoras nessa membrana faz com que a mesma se distenda um pouquinho e transmita essas vibrações a um conjunto de ossos (martelo, bigorna e estribo).
Em seguida, o trabalho mecânico desses ossos é para amplificar esses sons. Depois, transmite-os para a cóclea.
A cóclea é uma concha cheia de líquido. Pense num lago onde você joga uma pedra para produzir um trem de ondas (aqueles círculos concêntricos que se abrem ao longo do tempo), como diziam os professores de física.
Essas vibrações sonoras movimentam outras estruturas nervosas (estereocílios). Assim, começa a propagação do impulso nervoso ao cérebro, onde esses sons são interpretados.
DTMs e zumbido: as hipóteses
As alterações na articulação temporomandibular compartilham um grupo de sintomas incluindo alterações no ouvido, otalgia, perda auditiva, zumbido e vertigem.
Origem filogenética
Uma das teorias diz que a os ossos do ouvido e da mandíbula possuem a mesma origem filogenética.
Outro ponto de reforço é que os músculos tensor do tímpano e do véu palatino tenham sido originados como músculos mastigatórios.
Assim, em função da inervação comum (nervo trigêmeo), tensões e contrações na musculatura mastigatória poderiam gerar contrações secundárias nesses músculos, proporcionando aumento da pressão na membrana timpânica e prejudicando a função da tuba auditiva.
Origem anatômica
Segundo Ash e Pinto, há uma relação anatômica entre o ouvido médio e as ATMs, o que poderia explicar esses sintomas.
Nesse sentido, a translação do disco articular pode gerar a mobilidade do osso conhecido como martelo.
Além disso, cortes esquemáticos feitos pelos autores mostram que o músculo tensor do tímpano e do véu palatino possuem uma relação íntima com a membrana timpânica.
Ademais, é relatado na literatura que pontos-gatilho no músculo esternocleidomastoideo, pterigoideo lateral, e masseter estariam associados ao zumbido.
A frequência de zumbido em pacientes com DTM
Os números de pessoas com zumbido podem ser até oito vezes maiores em pacientes com DTM do que nos pacientes sem DTM.
Na anamnese, há suspeita clínica quando pelo menos um dos fatores abaixo veio antes do zumbido:
- história evidente de traumatismo craniano ou cervical;
- associação do zumbido com alguma manipulação dos dentes, mandíbula ou cervical/ coluna;
- episódios de dor recorrente na cabeça, pescoço ou cintura escapular;
- coincidência temporal de aparecimento ou aumento da dor e do zumbido;
- aumento do zumbido durante posturas inadequadas no repouso, caminhada, trabalho ou sono;
- períodos de bruxismo intenso durante o dia ou a noite.
Zumbido: propostas de tratamento
Na prática clínica, o zumbido ainda é considerado um sintoma sem cura, mas que pode ser aliviado.
A combinação de terapia com dispositivos intraorais (placas oclusais) e exercícios são a melhor abordagem investigada, mostrando uma diminuição na gravidade e intensidade do zumbido.
No vídeo abaixo, vamos ver como funciona a fisioterapia para alívio desse sintoma, com as Dras. Carla Campagna e Dra. Daniela Janolli:
Descubra aqui a relação entre a postura corporal e as DTMs
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