Hipersensibilidade dentinária: escalas e protocolo de tratamento
A hipersensibilidade dentinária é uma situação que não passa despercebida.
E seja você protesista ou periodontista, ela está presente nos pacientes com recessão gengival que chegam ao seu consultório.
A solução muitas vezes é o recobrimento radicular, com ou sem cirurgia de enxertia de tecido conjuntivo e uso de uma resina composta (ou compósito).
Entretanto, tudo depende do potencial de recobrimento máximo. Até aqui, o jogo está fácil porque é a sonda periodontal que ajuda nessa tomada de decisão.
Mesmo assim, o outro componente desse “combo”, que atende pela alcunha de “hipersensibilidade dentinária”, pode ser a pedra no sapato de muitos profissionais.
Hipersensibilidade dentinária: um fenômeno doloroso complexo?
A hipersensibilidade dentinária é um dos produtos das lesões cervicais não cariosas, que derivam do estilo de vida (hábitos alimentares, doenças gástricas, distúrbios do sono, transtornos psiquiátricos/psicológicos) repousando sob um guarda-chuva maior conhecido como a Síndrome do Envelhecimento Precoce Bucal.
Ocorre que, com a remoção da camada de esmalte, os túbulos dentinários ficam em exposição, e dois aspectos tornam-se comuns:
- centenas de pacientes acusam dor (espontânea ou provocada)
- outras centenas também conseguem dosar essa dor
- centenas de pacientes conseguem responder aos dois aspectos acima
Entretanto, sabemos que a resposta frente ao estímulo doloroso se chama nocicepção. Aqui, essa equação biológica é complexa: fatores como os neurotransmissores, as velocidades de condução da dor, os fenômenos de convergência neuronal, e as osmolaridade dos fluidos (glicose, por exemplo) alteram os parâmetros dolorosos.
Mas nem por isso vamos abandonar as escalas, certo?
Escalas de intensidade de hipersensibilidade dentinária por autorrelato
Esta é uma escala subjetiva (opinião)
A Escala de Análise Visual (EAV) é um bom exemplo.
De posse de um pedaço de papel e um lápis, o paciente marca numa linha a intensidade da sua dor (entre 0 e 10).
Por outro lado, podemos usar apenas os extremos dessas escalas (ausência de dor, pior dor possível) e deixar com que eles ou elas encontrem nessa linha “onde dói”.
Escala por provocação (estímulo)
Esta é uma escala comportamental.
Na escala por provocação, por exemplo, SCASS (Escala de Sensibilidade de Schiff ao Ar Frio), o processo é conduzido da seguinte forma ao medir a resposta dos pacientes:
- valor 0: sem resposta ao ar
- valor 1: com resposta ao ar, mas sem pedir sua remoção
- valor 2: com resposta ao ar, e o paciente se afasta do estímulo
- valor 3: com resposta, considera o estímulo doloroso, e se afasta do mesmo
Ponto comum: são escalas unidimensionais que só medem a (presença/ausência) e a intensidade da dor.
Mas tem outras opções?
Sim. Entretanto, segundo uma revisão recente, tanto a EAV quanto a SCASS são as mais usadas nos estudos clínicos mesmo com todas as restrições metodológicas.
E do ponto de vista clínico prático, os valores da EAV ainda podem ser classificados em:
- 0: sem dor
- 1-3: dor leve
- 4-6: dor moderada
- 7-10: dor intensa
Como funciona o protocolo de tratamento em sessão única?
Do ponto de vista lógico, a primeira fase consiste na dessensibilização neural e a segunda compõe a dessensibilização obliteradora:
- Primeiro, aplique a anestesia (facultativo, apenas em casos de HD nível elevado que impede a etapa de profilaxia);
- Em seguida, faça a profilaxia com pasta abrasiva livre de óleo (Sugestão: Consepsis Scrub – Ultradent) diluída em Solução de Clorexidina 2% e escova mini Robson extramacia (Sugestão: DHPro);
- Depois, insira o fio afastador tamanho #000 (Sugestão: Ultrapak – Ultradent);
- Aplique o Laser de baixa Potência (Sugestão: MMOptics), sendo 2 pontos em cada dente, com 1 cervical e outro no ápice radicular. Em cada ponto, use 1 J de laser infravermelho;
- Continue e aplique o gel de Nitrato de Potássio (Sugestão: Ultra EZ – Ultradent) durante 5 min (dupla aplicação com e sem fio), lavar e secar;
- Em seguida, use uma solução de glutaraldeído 5% (Sugestão: Gluma Desensitizer – Kulzer) por 30 segundo, lave e seque. Depois, retire o fio afastador com cuidado.
- Por fim, use o Verniz Fluoretado 5% (Sugestão: Enamelast – Ultradent ou Clinpro XT Varnish – 3M) em camada única conforme orientações do fabricante.
- Entretanto, lembre que o sucesso do tratamento é determinado pelo diagnóstico detalhado das condições sistêmicas e bucais do paciente, assim como do mapeamento dos fatores dependentes do estilo de vida.
Na imagem abaixo, é possível entender a linha temporal do tratamento dessensibilizante:


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