Tumores odontogênicos malignos: o carcinoma ameloblástico
Como andam os seus conhecimentos sobre os tumores odontogênicos? Ou melhor, como andam os seus conhecimentos para diagnosticar as doenças ósseas maxilofaciais? Embora não seja a atividade principal da clínica, é muito importante saber conversar com os radiologistas.
Ainda, é fundamental que as radiografias estejam nítidas, já que muitas vezes são os únicos meios de comunicação. Além disso, há outro ponto importante: a unidades que fornecem coleta e laudo histopatológico não estão por toda a parte.
Por um lado, é verdade que a inteligência artificial é capaz de fazer certos diagnósticos automaticamente. Entretanto, a complexidade de certos tumores malignos continua a desafia-la.
Neste sentido, dentre as inúmeras as lesões que podem envolver os maxilares, algumas comprometendo os tecidos moles e outras o tecido ósseo, os tumores odontogênicos, que apenas ocorrem na cavidade bucal, têm origem nos tecidos envolvidos na odontogênese e, portanto, apresentam grande variedade de tumores benignos e malignos.
Contudo, para nosso alívio, esses tumores constituem menos de 1% de todos os tumores bucais, sendo derivados das células responsáveis pela origem e formação dos dentes, dos tecidos de suporte dos mesmos e de seus remanescentes.

Veja abaixo alguns fragmentos do livro Doenças Ósseas Maxilofaciais – Clínica, Imagem e Patologia, escrito pelos professores Ney Soares de Araújo, Vera Cavalcanti de Araújo, Mariana Quirino Silveira Soares, José Luiz Cintra Junqueira.
Classificação dos tumores odontogênicos
A primeira classificação dos tumores odontogênicos, em 1868, é devida a Broca, consistindo na apresentação
de classificação histopatológica e critérios clinicopatológicos necessários para o diagnóstico dos tumores odontogênicos.
Mais tarde, os avanços laboratoriais da imuno-histoquímica, biologia molecular e genética, concorreram para as
modificações que a Organização Mundial da Saúde fez, nas várias classificações que se seguiram à de Broca e
possibilitaram a de 2022, acrescentando e descartando diversos tumores.
Assim, na classificação atual de 2022, os tumores odontogênicos benignos são originados do epitélio, mesênquima
ou mistos, e os tumores odontogênicos malignos divididos em carcinomas, sarcomas e carcinossarcomas.
Vale ressaltar: o conhecimento dos tumores odontogênicos pelo cirurgião-dentista clínico geral é obrigatório, cabendo a ele reconhecer e, se possível, diagnosticar a presença de um tumor odontogênico para poder, com segurança,
encaminhar o paciente para o tratamento correto.
Sem dúvida, o conhecimento dessa patologia é de importância maior para cirurgiões bucomaxilofaciais, radiologistas
e patologistas; mas como afirmado, o seu conhecimento é mandatório para aqueles que abraçam a profissão de cirurgião-dentista.
Tumores odontogênicos malignos – Carcinoma ameloblástico
No Capítulo 3, autores exploram as características dos tumores odontogênicos malignos.
O carcinoma ameloblástico é um tumor odontogênico maligno raro que pode se originar “de novo” ou de um ameloblastoma preexistente.
De todos os tumores odontogênicos malignos mencionados, o carcinoma ameloblástico é o mais frequente, com ocorrência de 1,79 casos por 10 milhões de população.
Entretanto, nas demais lesões dos três tipos apresentados, a ocorrência varia de 10 a 100 casos relatados na literatura.
Esses dados dizem bem da raridade desses tumores.
Características Clínicas
O tumor é agressivo, apresentando-se com aumento de volume com dor, ulceração, parestesia do lábio inferior, mais comumente na mandíbula, e com expansão das corticais, podendo alcançar grandes dimensões.
Um ponto essencial: esse tumor é mais comum em homens, com idade média de 37,5 anos.
Todavia, no início não há sintomatologia alguma e nenhuma imagem que possa caracterizar uma lesão maligna. Assim, o tumor de maior dimensão será informado por queixa do paciente.
Características Radiográficas
- imagem radiolúcida, unilocular ou multilocular
- margens pouco definidas, com expansão e perfuração das corticais
- infiltração de estruturas adjacentes
- reabsorção de dentes e invasão do tecido mole
- perda da lâmina dura
- reabsorção do ápice radicular
- mobilidade dos dentes próximos à lesão
- usualmente não se observa neoformação óssea.
Características da Imagem
O carcinoma ameloblástico ocorre mais na mandíbula, na região de pré-molar e molar. A imagem se assemelha ao ameloblastoma clássico, com características de agressividade similares às observadas em todos os tumores malignos.
A porção interna do tumor tem a aparência de favos de mel ou bolhas de sabão, mostrando septos espessos. As estruturas adjacentes podem ter os limites anatômicos perdidos e o canal alveolar inferior pode também ser deslocado. Os dentes adjacentes podem mostrar mobilidade e reabsorção da raiz.
Características Histopatológicas
O carcinoma ameloblástico apresenta as características citológicas de malignidade e o padrão histológico de um ameloblastoma, com menos áreas diferenciadas.
Assim as características clássicas do ameloblastoma, com as células em paliçada e polaridade reversa e o aspecto folicular ou plexiforme, irão aparecer pouco organizadas.
Ainda, as características de malignidade estarão presentes, exibindo pleomorfismo celular, atividade mitótica aumentada, mitoses bizarras e alteração da relação núcleo/citoplasma.
Na realidade, os limites histológicos para identificar e separar o ameloblastoma de um carcinoma ameloblástico são bastante complexos. Então, explica-se a necessidade de um conhecimento apurado sobre o tema.
Metástases de carcinoma ameloblástico são infrequentes, ocorrendo mais para os linfonodos ou pulmão, erroneamente atribuídas antigamente à aspiração das lesões orais e não pela via hematogênica ou linfática.

Diagnóstico Diferencial dos tumores odontogênicos – carcinoma ameloblástico
O carcinoma ameloblástico apresenta características de ameloblastoma, mixoma odontogênico, queratocisto odontogênico e carcinoma mucoepidermoide central.
Sendo a lesão localmente invasiva, na observação radiográfica, a interpretação da origem de um cisto pode ser feita em pacientes jovens e em localização anterior ao apontar para uma lesão central de células gigantes.
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