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Lesões bucais: a inteligência artificial vencendo os desafios

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4–6 minutos

O diagnóstico clínico e radiográfico de lesões bucais está entre as tarefas mais importantes da rotina do cirurgião-dentista, já que os métodos diagnósticos tradicionais são fundamentais.

Porém, há limitações importantes: os tons de cinza. Geralmente, há mais do que o olho consegue interpretar.

A razão é simples: as lesões bucais possuem variabilidade em tamanho, contornos e densidades.

Assim, o processo de interpretação somente através de imagens radiográficas fica subjetivo: gera variabilidade inter observador e traz potencial para o erro humano.

Entretanto, essa Odontologia do futuro é fato.

Arthur Cortes e o livro sobre IA na Odontologia
Arthur Cortes e o livro sobre IA na Odontologia

Lesões bucais: o diagnóstico melhora com ajuda da IA

Em setembro, durante o IN26, Arthur Cortes e colaboradores lançam o livro Procedimentos Clínicos com Inteligência Artificial na Odontologia, pela Santos Publicões Ltda.

Mas você, leitor do nosso blog, não precisa esperar: assim, você já recebe aqui as informações quentes em primeira mão!

No Capítulo 3Detecção Automatizada de Lesões Bucais, os autores Adam Bartolo, Ji Yong Han, Min Suk Heo, Nicholas Busuttil Dougall, Faleh Tamimi e Arthur Cortes exploram todo esse potencial.

Então, já pegou o seu café? Reserve 5 minutos do seu tempo e confira como a inteligência artificial realmente muda o dia a dia da sua clínica!

Acompanhe dois casos clínicos com lesões bucais sob a ótica da IA: o cisto dentígero e o cisto radicular.

Cisto Dentígero Agressivo com Perfuração da Base da Mandíbula

Situação inicial

Um paciente do sexo masculino, 13 anos, sem condições médicas relevantes, apresenta sob radiografia panorâmica as seguintes características:

  • uma lesão radiolúcida grande, bem definida, unilocular, na região posterior esquerda do corpo da mandíbula
  • uma borda esclerótica claramente demarcada ao redor da coroa de um segundo molar mandibular impactado e ectópico

Dessa forma, considerando a posição e a apresentação do cisto, a TCFC e o planejamento cirúrgico auxiliam no estabelecimento de uma lista de diagnósticos diferenciais.

Relatório de IA para detecção de lesões bucais: TCFC pré-operatória
apontando para cisto dentígero.
Relatório de IA (Diagnocat) da TCFC pré-operatória detectando e classificando a lesão cística como “anomalia de estrutura óssea”. Observe a segmentação fragmentada do canal mandibular.

Na etapa seguinte, a reconstrução multiplanar resultante é analisada com um software comercial de IA, que revela três aspectos:

  • expansão da cortical óssea
  • perfuração da face lingual da base da mandíbula pelos ápices dentários
  • deslocamento do canal mandibular

Em conclusão, há um cisto grande e de crescimento lento.

Então, um modelo 3D de IA reconstruído também é renderizado, já que isto vai para orientar o plano do tratamento para acesso e remoção cirúrgica dessa lesão.

Vista lingual do modelo 3D de IA da TCFC com expansão e o
adelgaçamento da cortical lingual da lesão bucal.
Vista lingual do modelo 3D de IA da TCFC. Observe a expansão e o adelgaçamento da cortical lingual.

Tratamento das lesões bucais

Após a abertura de um retalho, o cisto é localizado. Em seguida, ele pode ser cuidadosamente enucleado, juntamente com o dente 37 associado, já que foi considerado com baixo potencial para erupção adequada.

O próximo passo consiste em fechar primariamente os tecidos com suturas monofilamentares; assim, a ferida cicatriza sem intercorrências.

Depois, a análise histológica da biópsia confirma o diagnóstico de cisto dentígero, embora sem que exista necessidade de tratamento adicional.

Finalmente, uma radiografia panorâmica pós-operatória seis meses após a enucleação mostra a cicatrização e a maturação óssea satisfatórias.

Relatório de IA da radiografia panorâmica de acompanhamento
de 6 meses, confirmando cicatrização óssea alveolar satisfatória no sítio tratado.
Relatório de IA (Diagnocat) da radiografia panorâmica de acompanhamento de 6 meses, confirmando cicatrização óssea alveolar satisfatória no sítio tratado.

Apicectomia – Cisto Radicular Contíguo ao Canal Nasopalatino

Situação inicial

Um paciente do sexo feminino, 63 anos, sem condições médicas relevantes, apresenta-se com sensibilidade à percussão no dente 12. Este elemento possui tratamento endodôntico prévio.

Isso é confirmado por meio de reconstrução multiplanar de TCFC e apoiado pelo respectivo relatório baseado em Inteligência Artificial: existe uma obturação do canal radicular, densa e bem compactada, estendendo-se ao comprimento desejado.

Desta maneira, há chance de um plano de tratamento para apicectomia sem obturação retrógrada.

Relatório de IA sobre lesões bucais. TCFC mostrando uma lesão hipodensa
periapical compatível com cisto radicular.
Relatório de IA de TCFC (Diagnocat) mostrando uma lesão hipodensa (radiolúcida) periapical bem delimitada, homogênea, arredondada, com bordas corticalizadas, associada ao dente 12, que apresentou condição satisfatória do tratamento endodôntico existente.
Modelo 3D reconstruído do caso com segmentações automatizadas para lesões bucais.
Modelo 3D reconstruído do caso com segmentações automatizadas mostrando que a lesão estava contígua à parede do canal nasopalatino e associada à reabsorção da cortical vestibular, sugestiva de cisto radicular. Observe que a lesão não afetava as lâminas duras dos dentes adjacentes 13 e 11.

Tratamento da lesões bucais

Nessa situação, o procedimento cirúrgico tem dois pontos fundamentais:

  • acesso ao ápice radicular
  • apicectomia com uma broca esférica sob irrigação com solução salina

Ainda, essa etapa é simultânea à enucleação completa (remoção da lesão junto com a parede epitelial circundante) do cisto radicular, mas sem obturação retrógrada subsequente, gerando resultados clínicos satisfatórios.

Apicectomia realizada junto com a enucleação das lesões bucais.
Apicectomia realizada junto com a enucleação da lesão bucal.

Neste caso, a abordagem cirúrgica tem sucesso, apesar da proximidade da lesão com o canal nasopalatino, já que ao remover toda a lesão cística junto com o ápice radicular problemático, o estímulo patológico cessa.

Em seguida, a cavidade resultante recebe um substituto ósseo sintético particulado composto de fosfato de cálcio bifásico, que é um material adequado para enxertar defeitos ósseos mesmo imediatamente após a remoção de uma lesão.

Por fim, o exame histológico confirma o diagnóstico de cisto radicular.

Enxertia óssea da cavidade, resultante das lesões bucais, usando o fosfato de cálcio bifásico.
Enxertia óssea da cavidade resultante da lesão bucal com fosfato de cálcio bifásico.
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2 comentários em “Lesões bucais: a inteligência artificial vencendo os desafios

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