Lesões bucais: a inteligência artificial vencendo os desafios
O diagnóstico clínico e radiográfico de lesões bucais está entre as tarefas mais importantes da rotina do cirurgião-dentista, já que os métodos diagnósticos tradicionais são fundamentais.
Porém, há limitações importantes: os tons de cinza. Geralmente, há mais do que o olho consegue interpretar.
A razão é simples: as lesões bucais possuem variabilidade em tamanho, contornos e densidades.
Assim, o processo de interpretação somente através de imagens radiográficas fica subjetivo: gera variabilidade inter observador e traz potencial para o erro humano.
Entretanto, essa Odontologia do futuro é fato.

Lesões bucais: o diagnóstico melhora com ajuda da IA
Em setembro, durante o IN26, Arthur Cortes e colaboradores lançam o livro Procedimentos Clínicos com Inteligência Artificial na Odontologia, pela Santos Publicões Ltda.
Mas você, leitor do nosso blog, não precisa esperar: assim, você já recebe aqui as informações quentes em primeira mão!
No Capítulo 3 – Detecção Automatizada de Lesões Bucais, os autores Adam Bartolo, Ji Yong Han, Min Suk Heo, Nicholas Busuttil Dougall, Faleh Tamimi e Arthur Cortes exploram todo esse potencial.
Então, já pegou o seu café? Reserve 5 minutos do seu tempo e confira como a inteligência artificial realmente muda o dia a dia da sua clínica!
Acompanhe dois casos clínicos com lesões bucais sob a ótica da IA: o cisto dentígero e o cisto radicular.
Cisto Dentígero Agressivo com Perfuração da Base da Mandíbula
Situação inicial
Um paciente do sexo masculino, 13 anos, sem condições médicas relevantes, apresenta sob radiografia panorâmica as seguintes características:
- uma lesão radiolúcida grande, bem definida, unilocular, na região posterior esquerda do corpo da mandíbula
- uma borda esclerótica claramente demarcada ao redor da coroa de um segundo molar mandibular impactado e ectópico
Dessa forma, considerando a posição e a apresentação do cisto, a TCFC e o planejamento cirúrgico auxiliam no estabelecimento de uma lista de diagnósticos diferenciais.

Na etapa seguinte, a reconstrução multiplanar resultante é analisada com um software comercial de IA, que revela três aspectos:
- expansão da cortical óssea
- perfuração da face lingual da base da mandíbula pelos ápices dentários
- deslocamento do canal mandibular
Em conclusão, há um cisto grande e de crescimento lento.
Então, um modelo 3D de IA reconstruído também é renderizado, já que isto vai para orientar o plano do tratamento para acesso e remoção cirúrgica dessa lesão.

Tratamento das lesões bucais
Após a abertura de um retalho, o cisto é localizado. Em seguida, ele pode ser cuidadosamente enucleado, juntamente com o dente 37 associado, já que foi considerado com baixo potencial para erupção adequada.
O próximo passo consiste em fechar primariamente os tecidos com suturas monofilamentares; assim, a ferida cicatriza sem intercorrências.
Depois, a análise histológica da biópsia confirma o diagnóstico de cisto dentígero, embora sem que exista necessidade de tratamento adicional.
Finalmente, uma radiografia panorâmica pós-operatória seis meses após a enucleação mostra a cicatrização e a maturação óssea satisfatórias.

Apicectomia – Cisto Radicular Contíguo ao Canal Nasopalatino
Situação inicial
Um paciente do sexo feminino, 63 anos, sem condições médicas relevantes, apresenta-se com sensibilidade à percussão no dente 12. Este elemento possui tratamento endodôntico prévio.
Isso é confirmado por meio de reconstrução multiplanar de TCFC e apoiado pelo respectivo relatório baseado em Inteligência Artificial: existe uma obturação do canal radicular, densa e bem compactada, estendendo-se ao comprimento desejado.
Desta maneira, há chance de um plano de tratamento para apicectomia sem obturação retrógrada.


Tratamento da lesões bucais
Nessa situação, o procedimento cirúrgico tem dois pontos fundamentais:
- acesso ao ápice radicular
- apicectomia com uma broca esférica sob irrigação com solução salina
Ainda, essa etapa é simultânea à enucleação completa (remoção da lesão junto com a parede epitelial circundante) do cisto radicular, mas sem obturação retrógrada subsequente, gerando resultados clínicos satisfatórios.

Neste caso, a abordagem cirúrgica tem sucesso, apesar da proximidade da lesão com o canal nasopalatino, já que ao remover toda a lesão cística junto com o ápice radicular problemático, o estímulo patológico cessa.
Em seguida, a cavidade resultante recebe um substituto ósseo sintético particulado composto de fosfato de cálcio bifásico, que é um material adequado para enxertar defeitos ósseos mesmo imediatamente após a remoção de uma lesão.
Por fim, o exame histológico confirma o diagnóstico de cisto radicular.

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