Reconstrução alveolar proteticamente guiada: passo a passo
A reconstrução alveolar proteticamente guiada (RAPG) é uma proposta funcional para formar tecido mole ao redor do alvéolo de extração sem usar membranas e biomateriais? Isso é possível?
Ela foi desenvolvida por muitos anos por Luiz Roberto Figueiredo Dantas (in memoriam). Atualmente, encontra-se publicada no livro de mesmo nome, escrito por Guaracilei Maciel Vidigal Junior.

O que é a técnica RAPG?
Ela é uma manobra que visa manter os tecidos moles originais e ainda aumentar a chance de formação de tecido adicional. Estamos falando do alvéolo de extração, ou seja, imediatamente após a exodontia. Portanto, uma das situações mais desafiadoras na clínica.
O que acontece quando extraímos um dente?
Se não fizermos absolutamente nada, o coágulo sanguíneo preenche esse alvéolo. Do ponto de vista biológico, é a sequência natural dos fatos. Entretanto, frente aos desafios estéticos na maxila, essa filosofia de “deixar que tudo se acerte naturalmente” ficou no museu.
Ademais, fica um defeito com topografia irregular. Além disso, a formação óssea dentro desse alvéolo não permite que um implante dentário seja estabilizado, na maioria das situações. Então, não conseguimos explorar todo seu potencial regenerativo.
Em suma, sabemos como é complicado trabalhar o nível ósseo dos tecidos moles e duros.
Como a técnica da reconstrução alveolar proteticamente guiada impede esse fenômeno?
Como o próprio nome diz, quem dá uma força nessa manobra é a prótese; ou melhor, o seu desenho. Com tudo certo, ele vai guiar essa cicatrização e manter os tecidos gengivais em posição. E tudo isso sem o uso de biomateriais nessa reconstrução alveolar.
Além disso, a ideia é formar um anel mucoso no sentido horizontal, ao mesmo tempo que a porção cervical da prótese funciona como um plug e impede o coágulo de se deslocar.
Por outro lado, podemos pensar na RAPG como a evolução da técnica de submersão radicular. Entretanto, há uma diferença crucial: ao mesmo tempo em que removemos a raíz, também podemos selar a embocadura do alvéolo.
Ainda, ela usa os 3 mm de profundidade para assentar o pôntico. Porém, com uma diferença: há uma imagem de tomografia computadorizada de feixe cônico que delimita o formato apical dessa extensão.
Quais são as vantagens da RAPG?
- ausência de retalhos: isto também significa menos incisões verticais, relaxantes e suturas
- maior conforto pós-operatório: sim, quanto menor a manipulação, mais rápida a recuperação
- preservação da margem gengival, linha mucogengival, e papilas interdentais
- preservação/regeneração do osso alveolar sem enxertos e/ou membranas
- otimização da estética final
Eu preciso de muitos materiais diversos para fazer a RAPG?
Pelo contrário: são os mesmos materiais de consumo que existem no seu consultório: lâminas/estiletes, gesso, brocas esféricas e tronco cônicas. Logicamente, você precisa usar seus conhecimentos periodontais. Mas não se preocupe.
O passo a passo da reconstrução alveolar proteticamente guiada: como executar?
1. Obtenção do modelo de gesso e desenho do pôntico
Após anamnese e exame por tomografia computadorizada de feixe cônico, faça a moldagem e construa um modelo de gesso tipo IV. A razão é simples: isso dá resistência maior as áreas que não podem ser desgastadas, como as interdentais.


Preservação das áreas das papilas interdentais

As áreas interdentais são preservadas porque esse tecido mole é precioso e deve ser mantido em posição.
Preparo do nicho subgengival – broca esférica 2 mm
Use sempre uma broca esférica de 2 mm. Em seguida, faça as verificações com uma sonda periodontal (3mm de profundidade é ideal na vestibular e palatina); entretanto, a região proximal pode ter esse valor aumentado.



2. Preparo da prótese para a reconstrução alveolar proteticamente guiada




Importante: não se esqueça de verificar na tomografia computadorizada a dimensão cervical do alvéolo antes da cirurgia e compatibiliza-la com a dimensão mais apical do pôntico da prótese.



O que você acompanhou aqui é o passo a passo essencial da técnica — o livro completo traz todas as variações clínicas, os cuidados em cada etapa e as evidências que sustentam a RAPG.
Leia também: A técnica da dupla prensagem – por Dario Adolfi
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