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Hipersensibilidade dentinária: escalas e protocolo de tratamento

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3–5 minutos

A hipersensibilidade dentinária é uma situação que não passa despercebida.

E seja você protesista ou periodontista, ela está presente nos pacientes com recessão gengival que chegam ao seu consultório.

A solução muitas vezes é o recobrimento radicular, com ou sem cirurgia de enxertia de tecido conjuntivo e uso de uma resina composta (ou compósito).

Entretanto, tudo depende do potencial de recobrimento máximo. Até aqui, o jogo está fácil porque é a sonda periodontal que ajuda nessa tomada de decisão.

Mesmo assim, o outro componente desse “combo”, que atende pela alcunha de “hipersensibilidade dentinária”, pode ser a pedra no sapato de muitos profissionais.

Hipersensibilidade dentinária: um fenômeno doloroso complexo?

A hipersensibilidade dentinária é um dos produtos das lesões cervicais não cariosas, que derivam do estilo de vida (hábitos alimentares, doenças gástricas, distúrbios do sono, transtornos psiquiátricos/psicológicos) repousando sob um guarda-chuva maior conhecido como a Síndrome do Envelhecimento Precoce Bucal.

Ocorre que, com a remoção da camada de esmalte, os túbulos dentinários ficam em exposição, e dois aspectos tornam-se comuns:

  • centenas de pacientes acusam dor (espontânea ou provocada)
  • outras centenas também conseguem dosar essa dor
  • centenas de pacientes conseguem responder aos dois aspectos acima

Entretanto, sabemos que a resposta frente ao estímulo doloroso se chama nocicepção. Aqui, essa equação biológica é complexa: fatores como os neurotransmissores, as velocidades de condução da dor, os fenômenos de convergência neuronal, e as osmolaridade dos fluidos (glicose, por exemplo) alteram os parâmetros dolorosos.

Mas nem por isso vamos abandonar as escalas, certo?

Escalas de intensidade de hipersensibilidade dentinária por autorrelato

Esta é uma escala subjetiva (opinião)

A Escala de Análise Visual (EAV) é um bom exemplo.

De posse de um pedaço de papel e um lápis, o paciente marca numa linha a intensidade da sua dor (entre 0 e 10).

Por outro lado, podemos usar apenas os extremos dessas escalas (ausência de dor, pior dor possível) e deixar com que eles ou elas encontrem nessa linha “onde dói”.

Escala por provocação (estímulo)

Esta é uma escala comportamental.

Na escala por provocação, por exemplo, SCASS (Escala de Sensibilidade de Schiff ao Ar Frio), o processo é conduzido da seguinte forma ao medir a resposta dos pacientes:

  • valor 0: sem resposta ao ar
  • valor 1: com resposta ao ar, mas sem pedir sua remoção
  • valor 2: com resposta ao ar, e o paciente se afasta do estímulo
  • valor 3: com resposta, considera o estímulo doloroso, e se afasta do mesmo

Ponto comum: são escalas unidimensionais que só medem a (presença/ausência) e a intensidade da dor.

Mas tem outras opções?

Sim. Entretanto, segundo uma revisão recente, tanto a EAV quanto a SCASS são as mais usadas nos estudos clínicos mesmo com todas as restrições metodológicas.

E do ponto de vista clínico prático, os valores da EAV ainda podem ser classificados em:

  • 0: sem dor
  • 1-3: dor leve
  • 4-6: dor moderada
  • 7-10: dor intensa

Como funciona o protocolo de tratamento em sessão única?

Do ponto de vista lógico, a primeira fase consiste na dessensibilização neural e a segunda compõe a dessensibilização obliteradora:

  • Primeiro, aplique a anestesia (facultativo, apenas em casos de HD nível elevado que impede a etapa de profilaxia);
  • Em seguida, faça a profilaxia com pasta abrasiva livre de óleo (Sugestão: Consepsis Scrub – Ultradent) diluída em Solução de Clorexidina 2% e escova mini Robson extramacia (Sugestão: DHPro);
  • Depois, insira o fio afastador tamanho #000 (Sugestão: Ultrapak – Ultradent);
  • Aplique o Laser de baixa Potência (Sugestão: MMOptics), sendo 2 pontos em cada dente, com 1 cervical e outro no ápice radicular. Em cada ponto, use 1 J de laser infravermelho;
  • Continue e aplique o gel de Nitrato de Potássio (Sugestão: Ultra EZ – Ultradent) durante 5 min (dupla aplicação com e sem fio), lavar e secar;
  • Em seguida, use uma solução de glutaraldeído 5% (Sugestão: Gluma Desensitizer – Kulzer) por 30 segundo, lave e seque. Depois, retire o fio afastador com cuidado.
  • Por fim, use o Verniz Fluoretado 5% (Sugestão: Enamelast – Ultradent ou Clinpro XT Varnish – 3M) em camada única conforme orientações do fabricante.
  • Entretanto, lembre que o sucesso do tratamento é determinado pelo diagnóstico detalhado das condições sistêmicas e bucais do paciente, assim como do mapeamento dos fatores dependentes do estilo de vida.

Na imagem abaixo, é possível entender a linha temporal do tratamento dessensibilizante:

protocolo de tratamento para hipersensibilidade dentinária
Protocolo de tratamento para hipersensibilidade dentinária por Soares PV e cols. em 2021.
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2 comentários em “Hipersensibilidade dentinária: escalas e protocolo de tratamento

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