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Carcinoma ameloblástico: diagnóstico, tratamento e prognóstico completo

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Dentre os tumores odontogênicos, o carcinoma ameloblástico é a forma maligna e rara do ameloblastoma, um tumor que se origina do tecido que forma o esmalte dentário. Os sinais de alerta são aumento indolor persistente da mandíbula, mobilidade dentária sem causa e lesão óssea visível na radiografia. O tratamento é cirúrgico, com margens mais amplas que no ameloblastoma comum.

Como andam os seus conhecimentos sobre os tumores odontogênicos? Ou melhor, como andam os seus conhecimentos para diagnosticar as doenças ósseas maxilofaciais? Embora não seja a atividade principal da clínica, é muito importante saber conversar com os radiologistas.

Ainda, é fundamental que as radiografias estejam nítidas, já que muitas vezes são os únicos meios de comunicação. Além disso, há outro ponto importante: a unidades que fornecem coleta e laudo histopatológico não estão por toda a parte.

Por um lado, é verdade que a inteligência artificial é capaz de fazer certos diagnósticos automaticamente. Entretanto, a complexidade de certos tumores malignos continua a desafia-la.

Neste sentido, dentre as inúmeras as lesões que podem envolver os maxilares, algumas comprometendo os tecidos moles e outras o tecido ósseo, os tumores odontogênicos, que apenas ocorrem na cavidade bucal, têm origem nos tecidos envolvidos na odontogênese e, portanto, apresentam grande variedade de tumores benignos e malignos.

Contudo, para nosso alívio, esses tumores constituem menos de 1% de todos os tumores bucais, sendo derivados das células responsáveis pela origem e formação dos dentes, dos tecidos de suporte dos mesmos e de seus remanescentes.

Capa do livro Doenças Ósseas Maxilofaciais: Clínica, Imagem e Patologia, 332 páginas, Santos Publicações Ltda., 2025.

Veja abaixo alguns fragmentos do livro Doenças Ósseas Maxilofaciais – Clínica, Imagem e Patologia, escrito pelos professores Ney Soares de Araújo, Vera Cavalcanti de Araújo, Mariana Quirino Silveira Soares, José Luiz Cintra Junqueira.

Classificação dos tumores odontogênicos

A primeira classificação dos tumores odontogênicos, em 1868, é devida a Broca, consistindo na apresentação
de classificação histopatológica e critérios clinicopatológicos necessários para o diagnóstico dos tumores odontogênicos.

Mais tarde, os avanços laboratoriais da imuno-histoquímica, biologia molecular e genética, concorreram para as
modificações que a Organização Mundial da Saúde fez, nas várias classificações que se seguiram à de Broca e
possibilitaram a de 2022, acrescentando e descartando diversos tumores.

Assim, na classificação atual de 2022, os tumores odontogênicos benignos são originados do epitélio, mesênquima
ou mistos, e os tumores odontogênicos malignos divididos em carcinomas, sarcomas e carcinossarcomas.

Vale ressaltar: o conhecimento dos tumores odontogênicos pelo cirurgião-dentista clínico geral é obrigatório, cabendo a ele reconhecer e, se possível, diagnosticar a presença de um tumor odontogênico para poder, com segurança,
encaminhar o paciente para o tratamento correto.

Sem dúvida, o conhecimento dessa patologia é de importância maior para cirurgiões bucomaxilofaciais, radiologistas
e patologistas; mas como afirmado, o seu conhecimento é mandatório para aqueles que abraçam a profissão de cirurgião-dentista.

Tumores odontogênicos malignos – Carcinoma ameloblástico

No Capítulo 3, autores exploram as características dos tumores odontogênicos malignos.

O carcinoma ameloblástico é um tumor odontogênico maligno raro que pode se originar “de novo” ou de um ameloblastoma preexistente.

De todos os tumores odontogênicos malignos mencionados, o carcinoma ameloblástico é o mais frequente, com ocorrência de 1,79 casos por 10 milhões de população.

Entretanto, nas demais lesões dos três tipos apresentados, a ocorrência varia de 10 a 100 casos relatados na literatura.
Esses dados dizem bem da raridade desses tumores.

Características Clínicas

O tumor é agressivo, apresentando-se com aumento de volume com dor, ulceração, parestesia do lábio inferior, mais comumente na mandíbula, e com expansão das corticais, podendo alcançar grandes dimensões.

Um ponto essencial: esse tumor é mais comum em homens, com idade média de 37,5 anos.

Todavia, no início não há sintomatologia alguma e nenhuma imagem que possa caracterizar uma lesão maligna. Assim, o tumor de maior dimensão será informado por queixa do paciente.

Características Radiográficas

  • imagem radiolúcida, unilocular ou multilocular
  • margens pouco definidas, com expansão e perfuração das corticais
  • infiltração de estruturas adjacentes
  • reabsorção de dentes e invasão do tecido mole
  • perda da lâmina dura
  • reabsorção do ápice radicular
  • mobilidade dos dentes próximos à lesão
  • usualmente não se observa neoformação óssea.

Características da Imagem

O carcinoma ameloblástico ocorre mais na mandíbula, na região de pré-molar e molar. A imagem se assemelha ao ameloblastoma clássico, com características de agressividade similares às observadas em todos os tumores malignos.

Além disso, a porção interna do tumor tem a aparência de favos de mel ou bolhas de sabão, mostrando septos espessos. As estruturas adjacentes podem ter os limites anatômicos perdidos e o canal alveolar inferior pode também ser deslocado. Os dentes adjacentes podem mostrar mobilidade e reabsorção da raiz.

Características Histopatológicas

O carcinoma ameloblástico apresenta as características citológicas de malignidade e o padrão histológico de um ameloblastoma, com menos áreas diferenciadas.

Assim as características clássicas do ameloblastoma, com as células em paliçada e polaridade reversa e o aspecto folicular ou plexiforme, irão aparecer pouco organizadas.

Ainda, as características de malignidade estarão presentes, exibindo pleomorfismo celular, atividade mitótica aumentada, mitoses bizarras e alteração da relação núcleo/citoplasma.

Na realidade, os limites histológicos para identificar e separar o ameloblastoma de um carcinoma ameloblástico são bastante complexos. Então, explica-se a necessidade de um conhecimento apurado sobre o tema.

Dessa forma, metástases de carcinoma ameloblástico são infrequentes, ocorrendo mais para os linfonodos ou pulmão, erroneamente atribuídas antigamente à aspiração das lesões orais e não pela via hematogênica ou linfática.

Tumores odontogênicos - carcinoma ameloblástico. Visão geral mostrando os pseudofolículos e grande celularidade do tumor.
Carcinoma ameloblástico. Visão geral mostrando os pseudofolículos e grande celularidade do tumor.

Diagnóstico Diferencial dos tumores odontogênicos – carcinoma ameloblástico

O carcinoma ameloblástico apresenta características de ameloblastoma, mixoma odontogênico, queratocisto odontogênico e carcinoma mucoepidermoide central.

Por isso, sendo a lesão localmente invasiva, na observação radiográfica, a interpretação da origem de um cisto pode ser feita em pacientes jovens e em localização anterior ao apontar para uma lesão central de células gigantes.

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1 comentário em “Carcinoma ameloblástico: diagnóstico, tratamento e prognóstico completo”

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