Cremes dentais: um tipo para cada paciente – parte 1
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Cremes dentais não são exatamente o que a gente pensa.
Por um lado, é fato que as composições químicas básicas descritas nas embalagens estão lá (em letras bem minúsculas, inclusive o flúor na forma de fluoretos), mas por outro lado, é importante saber que existe um tipo de creme dental para cada paciente.
Aliás, essa é uma das perguntas que os pacientes mais fazem. E ficam felizes quando a resposta convence.
Parece muito com aquela outra pergunta sobre o tipo de escova (cerda macia, cerda extra macia).
O tipo de creme dental é prescrito conforme a situação de cada paciente
Atualmente, segundo o livro Guia Clínico de Cremes Dentais, a indicação é baseada numa somatória de fatores dos pacientes (por exemplo, condição dentária, hábitos alimentares, estilo de vida), sendo dividida em 12 núcleos:
- com lesões não cariosas e hipersensibilidade dentinária
- odontopediátricos
- atletas amadores e profissionais
- com restaurações em resina composta ou cerâmica
- em tratamento ortodôntico
- com alto risco de cárie dentária
- com comprometimento sistêmico
- com efeitos adversos aos componentes dos dentifrícios
- sob clareamento dental
- com halitose
- os que preferem fitoterápicos e extratos naturais
- os periodontalmente comprometidos
Lesões não cariosas e hipersensibilidade dentinária
A prevalência e a incidência de lesões não cariosas e de hipersensibilidade dentinária cervical é alta.
Além disso, acometem pessoas cada vez mais jovens, pelos hábitos de consumo alimentar (bebidas e nutrientes esportivos de natureza ácida).
Neste sentido, existem no mercado duas categorias principais de cremes dentais dessensibilizantes: neurais e obliteradores.
Os dentifrícios à base de nitrato e citrato de potássio agem por mecanismo neural, ou seja, reduzem a transmissão dos impulsos nervosos, despolarizando diretamente as fibras nervosas, mas não obliterando ou alterando o fluxo do fluido dentinário.
Por outro lado, os dessensibilizantes depositam compostos no interior e sobre os túbulos dentários que devem ser resistentes aos desafios ácidos e mecânicos da cavidade bucal.
Em alguns casos, as lesões não cariosas estarão presentes. Porém, não haverá queixa de dor ou hipersensibilidade dentinária por parte do paciente.
Nestas situações, a doença não está ativa e, provavelmente, este paciente um dia já sentiu dor, houve deposição de dentina terciária, diminuição do volume do tecido pulpar e o paciente não responde mais aos estímulos externos.
Para estes pacientes, sem hipersensibilidade dentária, porém com presença de desgaste, um creme dental de baixa abrasividade e não dessensibilizante, pode estar indicado. Produtos com fontes de estanho são opções interessantes.
Odontopediátricos
Na população infantil, recomenda-se que um dentifrício fluoretado de no mínimo 1000 ppm de flúor seja utilizado duas vezes por dia como coadjuvante da limpeza dos dentes em crianças de todas as idades.
Quando falamos das crianças, três aspectos são importantes:
- a escovação deve ser supervisionada por um adulto
- o creme dental deve ser usado na quantidade certa
- a criança precisa de treinamento para enxaguar a boca corretamente

Atletas amadores e profissionais
A fisiologia do esporte mostra que o esforço intenso pode levar à supressão do sistema imunológico e fragilizar a saúde bucal nesse grupo de pacientes, assim com as alterações na composição salivar em função da acidez (baixo pH) das bebidas isotônicas, energéticos e suplementos que favorecem à corrosão dentária.
Além disso, nadadores, jogadores de pólo aquático e mergulhadores precisam ficar atentos ao cloro das piscinas.
No grupo dos atletas amadores e profissionais, as recomendações são:
- conhecer a rotina, dieta e higienização
- enxágue com água previamente às refeições
- cremes dentais com fluoretos modificados de baixa e média abrasividade
- escovas de cerdas macias
- escovar com pouca força
- hidratação com água
- manutenção periódica e frequente

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