Tomografia computadorizada de feixe cônico: 30 anos
Em 1996, o primeiro sistema de tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT em inglês, TCFC em português) foi publicado com finalidade para exames bucomaxilofaciais.
Olhando para trás, pergunta-se como é possível a Odontologia ter vivido tanto tempo com diagnósticos ligados às radiografias 2D (bidimensionais): periapicais, interproximais, cefalométricas ou ortopantomográficas dependiam do processo químico para revelação e fixação.
Em poucas palavras, isto significa momentos de muita tensão. Quando os controles de tempo, temperatura, bem como a troca dos líquidos não estão em dia, os problemas com o diagnóstico são imediatos.
É claro que o mercado sentia a falta do volume e da capacidade computacional para reconstruir o produto dos feixes de raio-X na Odontologia.
Olhando para os lados, a Medicina já utilizava um tomógrafo de mesa e o processo de registro helicoidal / espiral com feixes em leque. Nesse momento, foi quando a empresa italiana responsável pela produção do NewTom9000 apresenta o mesmo sistema de mesa, só que com a emissão dos feixes em formato de cone.
Assim, a tomografia computadorizada de feixe cônico é uma mudança de paradigma.
A dose de radiação na tomografia computadorizada de feixe cônico
Diferente do modelo espiral, esse sistema com TCFC já fornecia 1/6 da dose central máxima, ideal para Odontologia. Sim, ainda existe uma radiação ionizante no exame que deve ser compatível com os princípios ALARA.
O formato do feixe na tomografia computadorizada de feixe cônico
Diferente do modelo em leque, uma TCFC usa o feixe em forma de cone. Isto também permite que o tempo para aquisição das imagens seja mais rápido em 360 graus.
Outro benefício adicional é o campo de visão (FOV). Aqui, ajusta-se para um dente, um conjunto de dentes, uma arcada, ou ambas as arcadas maxilares, o que também significa proteção adicional aos pacientes.
Líquidos versus sensores: o que muda na tomografia computadorizada?
Parece ficção, mas a não dependência dos líquidos se traduz na tecnologia digital que vem com o exame de TCFC: seus painéis detectores possuem sensores de intensidade.
Isto significa que esses painéis carregam milhares de pixels (os famosos quadradinhos que vemos nos painéis de televisão). Cada pixel possui sensores de intensidade. Ou seja, a radiação é recebida e convertida conforme sua intensidade que geram os tons de cinza.
No caso da TCFC, a variabilidade desses tons já alcança os 16 bits.
Considerando que o bit aqui é como se fosse o “tom de cinza”, são incríveis 65.536 possibilidades de “claros e escuros” aumentando a chance de um diagnóstico mais próximo do mundo real.
Diversas possibilidades de planejamento
Nas TCFCs, as chances de visualização e planejamento são maiores.
Podemos observar características anatômicas nos sentidos coronal, axial e sagital.
Além disso, como os dados estão num programa de computador (e não no resultado da aplicação dos líquidos), as imagens são “reformatadas” conforme cada necessidade.
A explicação: se temos pixels em 2D, temos voxels em 3D na TCFC: da mesma forma, um cubo para pedacinho da quantidade de radiação eletromagnética captada e interpretada.
Através da manipulação do tamanho do voxel (por exemplo, podemos em alguns exames reduzir de 0,4mm para 0,1mm), há uma melhora na nitidez (radiopacidade e radiolucidez) das imagens.
Assim, de uma tomografia 3D podemos fazer uma reconstrução 2D (radiografia panorâmica), uma visualização coronal de um dente com suspeita de reabsorção radicular, trinca ou até mesmo fraturas.
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