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Tabagismo: um protocolo eficaz para deixar de fumar

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Charutos, cigarros, ou fumo de mascar: tudo isso representa o tabagismo.

Embora os meios e os hábitos tenham suas particularidades, seus produtos prejudicam não só a saúde geral, mas também a saúde dentária.

Assim, procedimentos odontológicos sofrem para cicatrizar corretamente porque o cigarro afeta a microcirculação. O cigarro, ou melhor, a nicotina que existe nele, compromete diversas proteínas responsáveis pela homeostasia tecidual.

Por exemplo, quando o seu paciente precisa de uma regeneração óssea, seja vertical ou horizontal, o primeiro aspecto para ficarmos de olho na anamnese é o hábito de fumar, justamente porque depois do enxerto vem o implante dentário e logo em seguida, o descontrole no processo de remodelamento.

Além de propiciar o acúmulo de placa, o tabagismo aumenta o risco de câncer de pulmão, garganta e mucosa bucal, principalmente na forma de mastigar, o que é muito comum nos EUA.

Então, não importa se o consumo de cigarros é leve ou moderado. O problema é que, ao longo dos anos, o efeito cumulativo da nicotina devasta qualquer sistema vivo.

Além disso, em pacientes fumantes, é frequente vermos as partes internas das próteses totais, justamente nos locais mais difíceis de limpar, estarem completamente manchadas.

Nesse sentido, outros efeitos são a elevação da temperatura bucal e as mudanças no fluxo salivar, sem contar os problemas nos tecidos peri-implantares.

Nesta corrida fatal, os cigarros eletrônicos, comuns entre jovens, também não ficam para trás quando se fala em ameaças potenciais à saúde.

E com todos os malefícios descritos acima, nada melhor do que pensar num protocolo que ajude o seu paciente a parar de fumar, seja no estágio inicial ou na terapia de suporte periodontal.

As quatro fases para interromper o tabagismo

Sim, não é nenhuma novidade que nossos pacientes são tabagistas.

Quem nunca flagrou no corredor um fumante inveterado logo depois de uma cirurgia de enxerto de tecido conjuntivo?

Fazia muito tempo que não surgia uma proposta nova frente ao hábito de fumar.

A mais simples pode ser dividida nas quatro etapas abaixo:

  • conexão (empatia)
  • informação
  • motivação
  • ação

Cada uma dessas etapas é o degrau de uma escada.

Isso serve para medir o progresso.

Conexão (empatia)

Construa um bom relacionamento com seu paciente para ganhar confiança, empatia e respeito.

É necessário que os pacientes se sintam seguros e que a atmosfera seja do seu consultório (sua equipe) seja acolhedora.

Para que isso funcione, você deve se compreender quem é de verdade essa pessoa que está sentada na sua cadeira.

No final, o paciente precisa perceber que você se importa com ele ou ela.

Pratique a escuta ativa e o contato visual.

Entretanto, observe os limites emocionais a serem respeitados e que não devem influenciar na relação entre profissional e paciente.

Informação sobre o tabagismo é fundamental

Adapte os materiais que você tem ao conhecimento e linguagem que o seu paciente entende.

Explique o diagnóstico, o tratamento e as implicações futuras.

Pergunte sempre se ele/ela entende o que você diz pedindo para que repitam com suas próprias palavras.

A odontologia tem uma grande facilidade para se valer dos recursos visuais, como fotografias “antes” e “depois”.

Cuidado com a quantidade de informação. Lembre-se de que você leva quatro anos para finalmente saber o que é um dente e como ele fica doente. O seu paciente vai precisar de um curso rápido, é verdade, mas no ritmo que ele ou ela conseguir.

Motivação

Faça com que o paciente mude o seu modelo mental ao expor situações do cotidiano em que o tabagismo não se encaixa bem (por exemplo, reuniões sociais exteriores, no convívio com o cônjuge ou descendentes).

Esse tipo de diálogo deve despertar a automotivação.

Perceba se o seu paciente já consegue entender por que o tabagismo é ruim e seu combate iminente estabelecendo metas realísticas.

Ação

Na fase da mudança comportamental, um plano para deixar de fumar é fato: podemos colocar uma data, os métodos ou recomendar outros medicamentos, modificando os gatilhos da rotina e buscando o suporte familiar.

Ainda, muita atenção é necessária porque há chance de recaídas.

1 comentário em “Tabagismo: um protocolo eficaz para deixar de fumar

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